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A colonização da Web Summit decorre a bom ritmo. Este ano, então, as cores predominantes são o verde e o vermelho da mui familiar bandeira nacional.
ResponderEliminarNa primeira imagem, Fernando Medina olha para o senhor careca a seu lado e pensa para consigo o quão vantajoso é ter um caramelo junto da boca para ingerir quando lhe der na gana ou quando a glicemia assim o exigir. Pois é. A tecnologia de ponta anda à solta no reino da Lusitânia. O Web Summit, a bem dizer, traz consigo um sem-fim de vantagens e benefícios, um espectáculo mágico e espampanante de luz e cor com a pompa e a circunstância de um cometa tecnocrático e tecnológico.
Já na segunda imagem, a multidão aglomera-se em palco e - perante o olhar dos telespectadores que, através da televisão ou dos ecrãs de computadores e telemóveis, seguem o congresso em directo - parece entoar, exultante: “Às apps!, às apps!, contra os morcões info-excluídos, teclar, teclar!”
Pelos vistos, pela primeira vez em muito tempo, todos parecem olhar em frente e não para o ecrã do apêndice móvel que lhes é costume, tirando um simpático senhor de boné que, ao lado do manda-chuva do evento, o senhor Summit em pessoa, “Ipaddy” Cosgrave, lança um olhar furtivo ao tecno-vício de mão. “Fenomenal!”, parece o senhor do boné pensar, “Estou a ver-me no Web Summit!” Fantástico. Nem Narciso faria melhor.
A imagem seguinte mostra os anfitriões do evento: o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Câmara lisboeta, Fernando Medina, e o já citado senhor “Ipaddy”, descendo com discreta exuberância e contentamento as escadas para o palco. Como se constata, o trio não prima pela apoteose, pois as bancadas estão vazias e a pose dos três serve à objectiva dos fotógrafos. Ao que parece, fazem o que muito se faz no Portugal de hoje, ou seja, agem com dinamismo e hospitalidade "para inglês ver".
Por fim, na quarta e última imagem, a concórdia é perfeitamente visível e total, traduzida pelo efusivo aperto de mão entre o senhor Costa e o senhor “Ipaddy”, mãozada cuja firmeza se atesta na veia proeminente deste último. (Mau... Vá com calma, senhor Costa!, não queira vossemecê lesionar a mão valiosíssima desta nova aquisição e reforço da equipa nacional de jovens empreendedores que pretendem investir em Portugal.)
Seja como for, presume-se que para o ano a aventura continue e haja mais Summit e Web e cores e fatos azuis escuros de políticos famosos e jovens laboriosos em vias de esbanjarem à tripa-forra a riqueza ganha e cadeiras vazias multicolores e cartões livre-trânsito cor-de-rosa trazidos ao peito pelos convidados e muito acolhimento e muita paciência.
Como tal, apoiemos o partido das tecnologias que estão a dar e gritemos juntos: “Viva a Web Summit! Viva Portugal!”
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarO imperativo categórico de Kant em sua fundamentação da metafísica dos bons costumes está presente nas primeiras duas imagens; a ilusão de que a abrangência dos princípios se dará num todo conjunto, simbolizado nas cores de um Portugal englobante. Mas logo a sombra de um utilitarismo surge na terceira e quarta imagem, com a desculpa de que tem de se apurar o máximo de felicidade para o grupo maior (ou não). A crítica do concreto sem aplicação surge como mensagem adjacente, sendo o concreto algo que o comum português não sabe que precisa, mas é sempre o melhor (dizem eles).
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